“[Page 11]: Silver Lining Book, Hamilton Aguiar

This is the primordial forest.
The pines and the hemlocks babbling ...
So he wrote the poet Henry Wadsworth Longfellow in “Evangeline”. The disappointed forest, silent, primal. Impressive and apparently the one with eternity, the elements were an omnipotent and revitalizing force for the spirit of man.
For centuries, artists have turned to this macrocosm of nature using the theme, exploring thus extensive symbolism and philosophical implications. These images helped to renew the spiritual strength of both artists as observers, and gave voice to the creative force that exists within the true beauty.
The posture of Hamilton Aguiar believes that Art and Nature are different. He has visibly on their own terms, reconstituted nature in art, transformed their motives through the innovative use of color means and methods, tone, texture, shape and design. His paintings epitomize the simplified forms, in a synthesis of the basic silhouette of nature that bring images to the pure abstraction limit. In his landscapes, the particularities of time and place are reduced to a timeless ode. Aguiar landscapes provide a polished and meticulous realism. They are structured primarily horizontal and vertical elements that are essentially the same plane. Similarly, this painting limited spatial dimension, becomes increasingly an important feature of modernism.
Aguiar emphasizes the emotional and psychological theme of light as the primary determinant of his paintings, similarly to Luminism characteristics that constitute a style of American Art School Hudson River between 1850 and early 1870. His atmospheric effects are achieved by gradations infinitely careful tones, each landscape becomes a translucent suspension time evoked from a technique of the old masters who learned from the renowned master of faux finishing (artificial finishing), Ken Verotsko. A bulky amount of silver foil is applied over the entire screen over a surface covered plaster carefully followed up to twelve layers of oil paint. After then comes engraving and scraping the bottom in silver with a specially designed tool for this. The technique is an art form in itself.
In the arts, the representations of nature have always been based on a detailed study. In an attempt to recreate life, the actual often takes a fictional character from the blinding light of the external world of reality and the inner artist subconscious mind. In Aguiar’s work, the forest trees seem to be rooted in a reality that suggests a divine order and harmony, or seem to float disembodied extraordinarily exotic and relationships of bright color like jewelry so absolutely intense that it seems artificial. The artificial pollen medium used by the artist, the technique that makes these landscapes are different from any other fragile becomes real their delicate, but also the means by which to separate the natural world. The paintings shine in the unreal and inner light they provide, reminding us that, no matter how realistically the object is portrayed, it is realism of a painted imagination and is the final signature of the artist. Here, Aguiar shows the triumph of the human spirit manifested in the fusion of art and life in these timeless paintings.
The dramatic play of light and shadow brings the intense projection whole scenic view and mass scale variation. We can find a penetrating fidelity to detail representing the specific location and even transcend the particular, creating often a state of loneliness and isolation that spreads over the images. The story of the artist, born in Brazil in 1965, having come to the United States in 1987, and his adventure in every corner of the Hamptons and its emphatic lights and beaches, are not revealed in its landscapes. Instead, the emphatic truth of Aguiar succeeds in suggesting the universal in a classically balanced composition. The sky is clear gently, meticulously trimmed foliage - that shining in the light or resting quietly in the shade - is also marked by the hues of nature. In some works, the foreground is swanky, hot and rich, the distance disappears with due gradation; in others, the first mid-plane parts are played in warm colors, it transforms to suit their own purposes, establishing thus its distinctive individualism. The vibrant colors of the setting sun, the artist reveals subtle reflections on the ground. The chromatic exploration of color in the background: red, roses, wine, silver and gold - almost frees painting of his ties to a tightly connected to the ground image, bringing the landscape to a grand spiritual plane of poetic splendor.
Aguiar is the dramatic narrative of nature and regardless of the extent, each painting is a picture that equals grandeur and spaciousness. Although the expressive works refer to the perceivable world of natural elements, the movement of the ways is set in angular simplified and abstract terms, based on a well-structured spatial order. These views uninhabited evoke the proximity of an invisible Creator.
Charles Burchfield in a statement that seems to reflect the art de Aguiar, wrote that “an artist must paint, not what you see in nature, but what there is ... He does not try to extrapolate nature; his work is superior to superficial appearances of nature, but not to its basic laws. “(1)
Aguiar continues to pursue the social role of art fixing the thought in aesthetic form, clearly establishing the changing concepts of nature in a vitalized project, enlightening them and making them accessible to the senses.
CONSTANCE SCHWARTZ
Director and Chief Curator
Nassau County Museum of Art
Roslyn Harbor, NY
(1) Quoted in Joseph S. Trovato, Charles Burchfield (Utica, New York Art Museum, Institute Munson-Williams-Proctor, 1970), p.291.


[Página 11]:  SIlver Lining book, Hamilton Aguiar

Esta é a floresta primordial.
Os pinheiros e as cicutas murmurantes...

Assim escreveu o poeta Henry Wadsworth Longfellow em “Evangeline”. A floresta desapontou, silente, primordial. Impressionante e, aparentemente, à uma com a eternidade, os elementos da natureza foram uma força onipotente e revitalizante para o espírito do homem.

Por muitos séculos, os artistas se voltaram para este macrocosmo da natureza utilizando-o como tema, explorando, desta forma, extenso simbolismo e implicações filosóficas. Estas imagens ajudaram a renovar a força espiritual tanto dos artistas quanto dos observadores, e deram voz à força criativa que existe dentro da beleza verdadeira.

A postura de Hamilton Aguiar considera que Arte e Natureza são coisas diferentes. Ele tem, visivelmente, em seus próprios termos, reconstituído a Natureza na Arte, transformado seus motivos através do uso inovador dos meios e métodos de cor, tonalidade, forma, textura e design. Suas pinturas se resumem a formas simplificadas, em uma síntese da silhueta elementar da natureza, que trazem as imagens ao limite da pura abstração. Em suas paisagens, as particularidades de tempo e lugar são reduzidas a uma ode atemporal. As paisagens de Aguiar proporcionam um realismo polido e meticuloso. Elas se estruturam em elementos primariamente horizontais e verticais que estão, essencialmente, no mesmo plano. De forma similar, essa pintura, de dimensão espacial limitada, se torna, cada vez mais, uma das principais características do modernismo.

Aguiar dá ênfase ao tema emocional e psicológico da luz como determinante primário de suas pinturas, similarmente às características do Luminismo que constituiu um estilo da Escola de Arte Americana Hudson River entre 1850 e o início da década de 1870. Seus efeitos atmosféricos são alcançados pelas gradações infinitamente cuidadosas de tons, sendo que cada paisagem se torna uma suspensão translúcida do tempo evocado a partir de uma técnica dos antigos mestres que aprenderam com o renomado mestre do faux finishing (acabamento artificial), Ken Verotsko. Uma quantidade vultosa de folha de prata é aplicada sobre toda a tela, por cima de uma superfície cuidadosamente coberta de gesso, seguida de até doze camadas de tinta a óleo. Depois, então, vem a gravura e a raspagem do fundo em prata com uma ferramenta criada especialmente para isto. A técnica é uma forma de arte em si mesma.

Nas artes, as representações da natureza sempre se basearam em um estudo detalhado. Na tentativa de recriar vida, o real freqüentemente toma um caráter imaginário entre a luz cegante do mundo externo da realidade e a mente subconsciente interna do artista. Na obra de Aguiar, as árvores da floresta parecem estar enraizadas em uma realidade que sugere uma ordem e harmonia divinas, ou parecem flutuar em relacionamentos extraordinariamente desincorporados e exóticos de cor brilhante como jóia tão absolutamente intensa que parece artificial. O pólen artificial do meio utilizado pelo artista, a técnica que faz com que estas paisagens sejam diferentes de qualquer outra, torna real sua frágil delicadeza, mas também é o meio pelo qual se separam do mundo natural. As pinturas brilham na luz irreal e interna que fornecem, lembrando-nos de que, por mais realisticamente que o objeto seja retratado, ele é o realismo de uma imaginação pintada e é a assinatura final do artista. Aqui, Aguiar mostra o triunfo do espírito humano manifestado na fusão da arte e da vida nestas pinturas atemporais.

O dramático jogo de luz e sombra traz para a intensa projeção toda a visão cênica e variação da escala de massa. Podemos encontrar uma penetrante fidelidade aos detalhes que representam o local específico e ainda transcendem o particular, criando, freqüentemente, um estado de solidão e isolamento que se esparrama sobre as imagens. A história do artista, nascido no Brasil em 1965, tendo vindo para os Estados Unidos em 1987, e sua aventura por todos os cantos de Hamptons e suas enfáticas luzes e praias, não estão reveladas em suas paisagens. Em vez disso, a enfática veracidade de Aguiar obtém êxito em sugerir o universal em uma composição classicamente balanceada. O céu é delicadamente claro, a folhagem meticulosamente aparada – quer brilhando na luz ou repousando calmamente na sombra – é igualmente marcada pelos matizes da natureza. Em algumas obras, o primeiro plano é ostentoso, quente e rico, a distância desaparece com a devida gradação; em outras, partes do primeiro plano médio são tocadas com cores quentes que ele transforma para que se adaptem às suas próprias finalidades, estabelecendo, desta forma, seu individualismo distinto. Nas cores vibrantes do pôr-do-sol, o artista revela tênues reflexos no solo. A exploração cromática de cores no segundo plano: vermelhos, rosas, vinhos, pratas e dourados - quase liberta a pintura de seus laços para uma imagem firmemente ligada ao solo, trazendo a paisagem para um grandioso plano espiritual de esplendor poético.

Aguiar representa a dramática narrativa da natureza e, independentemente da proporção, cada pintura é um panorama que iguala grandeza e amplidão. Apesar de os trabalhos expressivos se referirem ao mundo perceptível dos elementos naturais, o movimento das formas é estabelecido em termos angulares e abstratos simplificados, com base em uma ordem espacial bem estruturada. Estas vistas desabitadas evocam a proximidade de um Criador invisível.

Charles Burchfield, em uma declaração que parece refletir a arte de Aguiar, escreveu que “um artista tem de pintar, não aquilo que vê na natureza, mas aquilo que lá está... Ele não tenta extrapolar a natureza; sua obra é superior às aparências superficiais da natureza, mas não às suas leis básicas.”(1)

Aguiar continua a buscar o papel social da arte fixando o pensamento na forma estética, estabelecendo claramente os conceitos mutáveis da natureza em um projeto vitalizado, iluminando-os e tornando-os acessíveis aos sentidos.

CONSTANCE SCHWARTZ
Diretora e Curadora-chefe

Museu de Arte do Condado de Nassau

Roslyn Harbor, Nova Iorque

(1) Citado em Joseph S. Trovato, Charles Burchfield (Utica, Museu de Arte de Nova Iorque, Instituto Munson-Williams-Proctor, 1970), p.291.